segunda-feira, 17 de agosto de 2009

If there was a better way to go then it would find me

Haja estômago para agüentar tanta indefinição, instabilidade e reviravoltas.
Pensei que a próxima postagem ia contar para vocês que eu estaria de volta a casa em novembro próximo. E eu pensei muito antes de tomar esta decisão. Por que mais uma vez isso significava abrir mao do doutorado e deixar meu namorado super complicado para um futuro incerto.
Tirei duas semanas de ferias no curso de inglês para trabalhar integral e economizar algum e aceitei, nao com menos relutancia, que não ia dar para viajar de despedida.
Comecei a buscar as possibilidades de trabalho no Brasil, a pensar onde iria morar, e me vi muito aberta a toda e (quase) qualquer possibilidade. A tristeza e a confusão que andavam rondando meu coração nas semanas anteriores se dissipou completamente. E, apesar da rotina dura e sem graça, estava animada e muito feliz com o pronto retorno ao lar, finalmente.
Ate comprei a passagem, mas o cartão de credito do Brasil tava estourado e recebi um e-mail no dia seguinte dizendo que a compra não foi realizada…
Alguns poucos dias depois, assim como se nada, quando abri meu e-mail no sábado pela manha, aquela certa universidade lusitana, que tem aquele certo programa de doutorado, que já tinha me dito não, de repente diz que eu fui aceita e que as aulas começam no dia 1º de outubro!
¡Vaya putada!
Queria ser o tipo de pessoa que diz: não, não! Já tomei a minha decisão. Já estou cansada do lado ruim dessa experiência. A saudade já não encontra onde se esconder. To voltando para casa e isso vai ser maravilhoso e não vou pensar nunca jamais em todos os “ses” da outra possibilidade.
Mas eu não sou, definitivamente, aquele tipo de pessoa. Uma indecisão doida, quilos de chocolates, uma super amigdalite e finalmente a decisão de tentar, de recomeçar mais uma vez, de ver no que vai dar. Sempre esperando que dessa vez seja... bom isso seria tema para outro longo texto.
Por agora meu coração esta em ebulição. Evidentemente não tenho nenhuma certeza e nem mesmo bons indícios de esta seja a decisão mais acertada. Mas é a minha.
Claro que antes e necessário que me dêem o visto, e antes disso, tudo é especulação. Eu já sabia, mas não havia realizado ainda o quanto as especulações têm efeitos práticos nas nossas vidas.
Os livros foram devidamente desempacotados, e a lista infinita de coisas favoritas que seriam promovidas a partir de novembro foi colocada na gaveta da esquerda, para esperar indeterminadamente por um momento mais propício.
De qualquer forma, e talvez a coisa mais importante de todas, o sentimento de agraciamento que tomou conta de mim nos últimos anos segue, cada vez mais fortalecido, e eu só tenho a agradecer.
Todo o amor e apoio que recebo transbordam, emocionam e enchem de força essa pequena pinscher metida a pit bull.

I certainly haven't been shopping for any new shoes
And
I certainly haven't been spreading myself around
I still only travel by foot and by foot, it's a slow climb,
But
I'm good at being uncomfortable, so I can't stop changing all the time
Fiona Apple

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Hot air...

Calmaria outra vez.
Uma menina nova chegou para dividir o quarto comigo. Ela é brasileira, de Goiânia, nem tão menina assim (tem 37, duas filhas, mas parece ter 25), arquiteta e super tranqüila.
Mudei de nível no curso de inglês e estou um pouco mais estimulada. Vendo filminhos – com legendas em inglês claro, escutando BBC news, audiobooks e consultando letras das musicas de toda a vida. Boa menina, certo? Mas Confesso que o progresso é bastante lento, apesar de ser real.
De resto rotina monótona e pouco ócio. Os únicos programas desde que escrevi a última vez foram ir ao Wimbledon de tênis, ao musical Mamma Mia, ambos em um esquema excursão da escola de inglês, e ver o jogo do Brasil contra os EUA em bar brasileiro chamado Guanabara.
O primeiro foi um saco. Mil horas de fila, um sol dos infernos sem sombra nem água fresca, um jogo muito mais ou menos em que ganhou um brasileiro cheio de marra e um jogo super legal, mas eu tava cansada demais para desfrutar.
Valeu pela companhia sempre super divertida das colombianas, pela experiência que me ensinou que não sou uma pessoa de eventos esportivos e pela inveja que causei nos meus irmãos (rs).
O musical foi muito legal. E olha que eu não gosto de musicais, mas o ABBA sempre vale à pena, fato.
O jogo do Brasil, que como vocês sabem não me importa muito, foi desses momentos cafonas em que as “pessoas humanas” se sentem mais pertencentes ao seu lugar no mundo. Ser estrangeiro me tornou muito mais brasileira. A verdade é que a bandeira, o hino e todos os demais símbolos nacionais ou patrióticos tão pouco estimados nos tempos atuais ganham um valor sobrenatural e aumentam e aclaram nosso sentido de pertencimento. Torci muito, gritei e fiquei super feliz com vitória, sofrida e de virada.
Depois teve forró. Isso mesmo, forró. Ao vivo e tudo. Foi ótimo. Lavei a alma.
Nada de pubs, festas, shows, visitas... Sinto-me bastante entediada às vezes, mas estou em um maravilhoso estado de paz.
Tenho que tomar várias decisões em médio prazo e muitas delas não dependem somente de mim, mas por algum motivo desconhecido não estou ansiosa.
Deixa a vida me levar...
“God save the queen

we mean it man

we love our queen

god saves (…)”

Sex Pistols





segunda-feira, 15 de junho de 2009

A María (a colombiana que dividia quarto comigo) foi morar em uma casa de família para trabalhar de babá. Estivemos buscando outra pessoa para ficar no lugar dela, mas a época é péssima e não encontramos ninguém. Por isso tenho que sair eu também ou pagar sozinha pelo quarto, o que não é possível no momento. Depois de tortuosas discussões com o landlord acabamos conseguindo convencê-lo de nos devolver a fiança, mas por isso tenho que me mudar as pressas e perder uma semana já paga. London life!!!
No meio do caminho desta confusão, eu fui para Espanha. Essa viagem foi um desastre completo, do inicio ao fim, em todos os sentidos. Uma decisão foi tomada em definitiva: só volto a viver naquela cidade se me pagam - e bem - para isso. Se não, nem pensar, never more dijeitoninhummmmmmmmmmm
Voltei para Londres e senti alívio - quem diria! Mas logo depois começou o problema com a casa e a paz tão desejada ficou um pouquinho para depois. Sinto-me horrível nesses momentos, mas isso me faz mais forte. Preciso acreditar nisso!
Muito estresse, os hormônios enlouquecidos, uma saudade fudida (é o meu blog e me permito) e a cabeça rodando mais que um peão.
Acho que finalmente estou entrando na caverna em que me propus, na marra, por insistência e/ou persistência. Nada de culpa, remordimentos, crises de ansiedade, tempestades de dúvidas e expectativas maníacas e coisas do gênero. Basta!
Eu sou estudante de inglês e garçonete em uma temporada em Londres. O deus tempo já se encarregará do que virá.
Desculpem-me o texto atravessado. Mas é que a cada fase difícil penso demasiado em vocês e na vida que deixei para trás. Tenho medo de não ter feito a coisa certa, de como será quando eu voltar, de não responder as expectativas e de perdê-los. Sinto culpa por não estar presente, por não ligar, por não escrever, por não saber e não cuidar. Sinto falta, muita falta. Sinto-me só.
E já não quero mais sentir nada disso. Desejo imensamente me sentir feliz e plena sozinha e viver só o momento presente. Só.
Mas amo muito e tenho muito mais amor ainda que dar, qualquer dia desses, em um futuro próximo e incerto.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Everything is gonna be alright

Muita coisa mudou.

Tenho um novo trabalho, em um restaurante bem legal de comida asiática. Lá trabalha gente do mundo todo. Entrei em uma academia (YMCA), vocês sabem - engordei bastante nesses últimos dois meses-, estou um pouco mais a vontade na big city e recebi muitas visitas.

Nem tinha contado da casa, né? Vivo com 2 meninas da turquia, muito legais, um chinês invisível, um casal da Malásia , um casal de um francê mulçumano e uma poloca e uma espanhola louca varrida. Isso mesmo, comingo e com a menina que divide comigo, somos 10!!!

É uma casa típica em uma rua típica, com um jardim interior delicioso e dois banheiros (thanks god!). Bem bonitinha e muito tranquila, por incrível que pareça...

O bairro, Wimbledon, é ótimo. Parece cidade do interior de Sao Paulo. E agora se inicia o compeonato de tenis e os mil eventos paralelos.

Voltando as visitas, primeiro vieo a família - Nef e Miha, com direito a K e Cata. Tudo de bom! Família é família, a gente briga, reclama, mas nao vive sem.

Depois encontrei a Christinne, cinco anos depois e tao maravilhoso. Simples, divertido, delicioso.

Por fim veio a Lina, foi tao pouco e tao corrido, uma pena. Mas foi ótimo. É difícil explicar o quao importante sao estas visitas de amigos próximos.

Fui a outros três pubs. De dois, nao gostei mesmo. Estou velha demais para aguentar coisas que nao gosto e ponto. O outro bem legal, pertinho de casa, esquema vazio, mesinhas e música boa... mas muito carinho para o momento.

Votei ao Tate Modern, fui ao Kew Garden (me emocionei, incrível) e ao Regent Park, sentar ao lado do lado, tomar um sol com pic nic.

Muitas caminhadas pela City of London em plena primavera foram animadoras. O sol é tudo na vida de um latino vivendo in this gray island.

Os ultimos dias foram maravilhosos. As ruas residencias estao cheias de todos os tipos de flores nos jardins e a cidade fica até bonita emoldorada de luz. Inclusive tomei sol de biquini no meu jardim! E fiquei vermelhinha... rs

PS. Esse texto estava salvo nos rascunhos há duas semanas...

sexta-feira, 1 de maio de 2009

London life...


Eu acordo cedo. Não me perguntem por que... acho que é coisa da idade (rs). Mas continuo super lenta de manha. Meus cereais com frutas e iogurte e café preto (brasileiro ou colombiano), estudo um pouco, me ocupo de alguma atividade doméstica qualquer e vou para escola, sempre em cima da hora.
A escola é uma escola mesmo, me sinto totalmente adolescente... o pessoal é bem divertido e a professora é fofa. Tem um montão de brasileiros. Infelizmente muitos são do tipo "queima filme", mas são gente boa e tal.
Daí tem uma francesa com cara de indiana, uma austríaca com jeito do interior do Rio Grande do Sul, alguns colombianos, dois irmãos da Arábia Saudita, um coreano, uma japonesa, uma iraniana...
São três horas diárias de aula, mas o conteúdo é bastante limitado e os exercícios são desenvolvidos para pessoas com baixa capacidade intelectual e não são nada estimulantes, mas esse é o preço que se paga.
Daí eu tenho um ipod - que o fofo do meu namorado me deu de aniversário, e ele é o meu maior e melhor companheiro. Venho para casa, às vezes passo na biblioteca, faço minha comidinha, melhor ou pior conforme eu tenha ou não tempo, ou a Maria faz a nossa comidinha - dias de sorte porque ela cozinha super bem e cada vez gosto mais da Colômbia.
A Maria é a minha roommate. Ela é recém formada em Direito, tem 24 anos. Super tranqüila e querida. Mas o namorado dela virá para Londres em pouco tempo e eu teria que encontrar outra pessoa.
Então eu vou para o trabalho. Uma coisa estranha de aqui é que as pessoas pensam e vivem muito em função do dinheiro. É que tudo é muito caro... As pessoas do trabalho são legais (espanhóis, brasileiros, polacos e turcos, basicamente), mas o clima é de competição, o tempo todo.
O trabalho fica a 20 minutos de metro da minha casa, mas o metro fecha por volta de meia noite, por isso levo uma hora para voltar em dois ônibus e em geral chego em casa as duas da matina, mortinha da silva.
Minha pele está um desastre, um ressecamento sem fim. Dizem que é a água daqui. Uso creme para o rosto, para o corpo, para as mãos e para os pés, e são todos de necessidade básica. Meu cabelo tá enorme e agora não vou cortar não. Quem sabe em uma próxima viagem a Espanha...
Ainda não fiz nada de turismo. Fui uma vez ao Canden Town e passei na frente dos principais pontos turísticos buscando trabalho. Foi a dois pubs, um na primeira semana com a Andrea - amigona de uma amiga minha, que me deu a maior força e me deixou um montão de coisinhas super úteis, pois estava encerrando sua temporada em Londres, e um do lado de casa que não gostei nada.
E isso é tudo por agora. Sei que não é muito excitante, mas essa é a rotina de um estudante duro em beerland.
Espero ter histórias mais legais para contar da próxima vez...
By by and kisses kisses

sábado, 25 de abril de 2009

Lindos dias de sol... em Madrid

Pois é. Embarquei na quinta de tarde e voltei para Londres no domingo de manha.
Foi uma loucura, de impulso, na ultima hora...
Era para estar com o meu tutor. Não estive.
Era para trazer as coisinhas que ficaram para trás. 20 e poucos quilinhos.
Era para estar com o meu namorado. Fato!
Fui ao Escorial, vi amigos queridos, Neficha o mais possível.
Madrid tem uma parte enorme de mim, ainda que também tenha muito do que hoje chamo ressentimento. Tem o céu cenário dos meus sonhos, a comida de um mundo feliz e o ambiente familiar que se tem quando se está em casa. Deixei-a outra vez, sabendo que volto muito em breve.
Voltei para a nova casa, a nova cidade, o novo trabalho (em um restaurante espanhol - vaya!), para a nova vida enfim.
Umas saudades imensas de casa, da minha enorme família amada, do meu Rio de Janeiro, de pudim de leite. Juro que hoje eu não reclamaria nem de ônibus lotado em um chuvoso dia de verão (!).
Meu coração partido em pedaços, entre tantos lugares. Minha cabeça projetando, freneticamente, mil e uma possibilidades para um futuro imediato. Meu corpo cansando, queixando-se do meu eterno hábito de não saciar seus caprichos. Minha alma feliz pelas pequenas e importantes conquistas. E uma parte que não tem nome (ou eu não sei como se chama) eufórica e cheia de medo de haver outra pessoa - quem lhe deu o direito? - fazendo uma bagunça danada em todas as partes nominadas.
Once in a blue moon...

quinta-feira, 2 de abril de 2009

maluinlondon

Nao vou mudar o link do blog, mas que fique registrada a enorme diferença que faz!

Estou num bairro no c do judas, foi exatamente aqui que ele perdeu as botas e quero me mudar antes que eu tropece nelas... mas a casa e o meu quarto até que sao bem apanhadinhos.

A escola é legal, igualzinha a todas as escolas de inglês do mundo todo (rs).

Cheguei super agitada e com bastante medo.

Fui direto para a casinha linda da K e do fofo do Kai em Brighton. O primeiro foi o mar! Depois, o carinho, atençao e cuidado da minha super amiga. Por fim, o resfriado.

Entao, vieram o Robert e a Crina, me levaram para a casa deles - a casinha mais fofa, e me encheram de todos os mimos do mundo.

Daí eu fui ver o Josh e a Cata, o portoespanigles foi um sucesso só. Que maravilha de encontro inusitado foi este (o deles).

Estava com muitas saudades dos meus amigos, mas o que realmente me fez feliz, foi constatar e me contagiar com a felicidade deles...

Ô coisa boa!!!
Na sexta eu conheci a Andrea, um tesouro. Ela vai embora essa semana, mas foi um ótima aquisiçao de todas maneiras. Pura alegria!

Em pouco mais de uma semana tenho 90% do burocrático resolvido e as pessoas em geral sao extremamente educadas e solicitas (igualzinho a Espanha - hahahahahahaha).

Enfim, tudo vai bem.

O texto sobre a despedida de Madrid e a parte enorme do meu coraçao que ficou lá, fica para um outro momento...

Tenho fome de feijao e da sardinha frita do meu pai no sábado depois da feira.

Quero ir para a Austrália conhecer o meu sobrinho e ver minha ovelha desgarrada.

Tô diminuindo o cigarro, de verdade...

Fiquei sabendo que algumas pessoas, além da Bruna, leêm este blog. Realmente achei que ninguém mais lia... ficaria feliz de ver uns comentários de vez em quando, viu gente.

See you soon.